O que ninguém vê

Ninguém vê o amor…
O perdão
O destino das lagrimas que caem solitárias
Ninguém vê o derretimento da calota polar
E ninguém vê as pedras despencando nos desfiladeiros do mundo
Ninguém…
Vê…
Ninguém

Teus dramas silenciosos
Tuas dores rancorosas
Teus gritos amordaçados
E o teu preconceito com tudo que é diferente
Ninguém vê o tigre devorando o antílope
E ninguém vê o início do câncer…
Ou do infarto…
Ninguém vê o início da cura…
E ninguém se vê do reverso
A carência com tantos nomes…
As vozes que não falam em ti…

Ninguém vê Deus ou o Diabo…
E no meio da selva, ninguém vê a serpente se enrodilhando na vitima
E o que fazemos aos outros com nossas palavras…
Boas…ruins…
Ninguém vê…
Ninguém te vê
Ninguém me vê…
O revolver engatilhado por ai neste segundo…
A violência que não é hostil
A violência adocicada entre risos…
Ninguém vê as ondas chegando a noite…
E a chuva partindo de volta para as nuvens…

Ninguém vê o neurônio virando alma…
A alma virando carne
Ninguém me vê…
Ninguém vê o sagrado
E ninguém vê o templo violado
O adeus…
O que se perde…
O que se está ganhando agora…
As amarras do passado
Ancoras sem asas…
Os dardos do futuro…

E ninguém vê o arrependimento cravando suas garras na alma…
E o cheiro do perfume
E as raízes do baobá…fundo, fundo…
A velhice chegando…
O amanhã ficando breve…
E ninguém vê a morte.
As vezes… não sei como vivemos…
E como temos tantas certezas da razão…
Por tanto que não é visto…
Você vê?

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