O Fio da Literatura – Mandrake

“ Vivo dependurado no telefone, acho que isso acontece com todos os profissionais liberais. Liguei para Silvia. Contei a ela as conversas que tivera, com Gagliardi e com Raul. Silvia, a situação é Gagliardi é ainda mais complicada do que parece.
Vamos em frente?
Vamos em frente, ela respondeu.
Depois que desliguei o telefone fiquei pensando em Silvia, no que ela me disse, que estava saindo com um cara, mas sem muito entusiasmo. Não será esse comportamento feminino uma forma de reação contra a opressão sexual sofrida historicamente pelas mulheres? -Vocês são assim? nós também podemos ser.
Dizem que com a minha mania de defender as mulheres eu fico tão apaixonado que meto os pés pelas mãos.
No século XIX os homens começaram a perceber que as mulheres iam se torna um problema difícil, estavam surgindo os primeiros movimentos feministas, as mulheres querendo votar, ainda não estavam querendo a liberdade para foder, mas os homens sabiam que depois do direito de votar, elas iriam ,cedo ou tarde, exigir o direito de gozar quando sentissem vontade e da maneira que quisesse, como algumas mulheres nas grandes metrópoles estão fazendo, e também nos seriado da televisão.
Mas isso ainda ocorre apenas com a minoria das mulheres, cuja a vida na grande cidade as ajudou a se libertarem, mas não como deviam, deixando de ser objetos sexuais dos machos, porque mesmo para essas mulheres chega um momento, talvez quando os seios e a bunda começam a cair, quando não conseguem mais pegar homem em bares e o uso dos mais sofisticados vibradores e a masturbação não soluciona a sua solidão, mesmo essas mulheres liberadas, quando chega esse instante inexorável querem um(a) parceiro(a) no fundo isso é uma confissão de derrota.
Isso vai acontecer com Silvia?
Rubem Fonseca.
Mandrake A Bíblia e a Bengala.

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