O Fio da Literatura | Contraponto

A dor de cada um, é única.
“Há dores confessáveis, sofrimentos de que nos podemos positivamente orgulhar. A perda de um ente que nos é caro, a partida, o sentimento do pecado, o medo da morte – de tudo isso os poetas já falaram com eloqüência .Tais dores se impõe a simpatia do mundo.
Mas há também angustias vergonhosas, não menos cruciantes do que as outras e da quais , no entanto, o paciente não ousa nem pode falar. A angustia do desejo contrariado, por exemplo.
Essa era a angustia que Walter carregava consigo pela rua. Era dor, raiva, desapontamento, vergonha e desespero combinado. Ele tinha a impressão de que a sua alma estava em agonia de morte.
E, no entanto, a causa era inconfessável, baixa e mesmo ridícula.
Suponhamos que um amigo então o encontrasse e lhe perguntasse por que ele tinha um ar tão infeliz. Responderia – Eu estava em colóquio amoroso com uma mulher quando fui interrompido, primeiro pelos gritos dum papagaio e depois pela chegada duma visita.
O comentário a essa confissão seria uma gargalhada enorme de zombaria. E a sua confissão se converteria numa anedota de sala.
E, no entanto, Walter não estaria sofrendo mais se tivesse perdido sua mãe…”
O Contraponto | Aldous Huxley

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