Navalhadas Curtas: Preconceito se aprende em ?

Precisava ir na padaria. Fiz todo o ritual de saída, máscara e cuidados, me vesti de distanciamento social e fui caminhando lentamente.
Gosto do vento na rua, respirar com calma.
Nunca sabemos quando algo pode nos surpreender. Nunca.
Entro na padaria de subúrbio. Um rapaz controlava quem entrava ou saia. Tudo nos conformes.
Uma criança de uns seis ou sete anos aparentemente e sua mãe estão no interior da padaria. Aguardam um bolo.
Pego o que preciso e me direciono a fila do caixa que tinha duas pessoas. Então a senhora a e criança pegam o bolo e ficam justamente atrás de mim na fila.
Então o menino fala assim:
-Mamãe por que esse negro está na nossa frente?
Me viro lentamente olho sério para a mãe que está mandando o filho ficar quieto, com dedo indicador frente aos lábios.
A mãe não diz nada pra mim.
Porem e a criança na sua pueril inocência segue: Mamãe lá em casa tu sempre diz que os negros não são nada…
A padaria fica em silencio, talvez aguardando minha atitude ou estavam chocados?
O caixa me atende apenas balançando a cabeça de forma reprovando a cena. Eu fico pensando se talvez devesse dizer algo mas não sentia vontade alguma.
Além do mais os olhares de todos la estavam já dizia muito. Peguei minhas coisas e sai caminhando lentamente na rua no vento e com coração batendo estranho e com apenas uma certeza: não foi a primeira e não será a última vez que isso acontece.
Fio da Navalha.

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