Navalhadas Curtas | Cuidado com as Pessoas “Boas”

O ano de 2020 agoniza, mas não duvide sempre tem surpresas.
Minha mãe é doente, quando a isso não temos oque possa ser feito, pois ainda não existe cura. Aceito e tentamos fazer o melhor possível.
Porem eventualmente eu ainda me surpreendo com alguns seres humanos, infelizmente negativamente.
Estava conduzindo minha mãe para a porta de entrada do elevador, quando percebi que uma vizinha que nunca fala conosco, nunca cumprimenta e raramente esta de cara boa para a vida correu para esperar com a porta aberta. Ela estava ja estava posicionada a porta aguardando para abrir e possivelmente ajudar no processo de caminhada de minha mãe, pensei eu.
Não duvide: a idade não nos torna melhores pessoas, as doenças não nos fazem mais humanos ou sensíveis e a morte não nos torna santos. Romantizamos demais o drama humano.
Bem, fiquei feliz com a rara atitude desta senhora idosa com máscara no rosto e com boa vontade de abrir portas.
Quando estamos entrando pela primeira porta que ela abriu, então como uma metralhadora automática de merda ela começa: Boa tarde, boa tarde…o senhor pode me dizer que doença ela tem para estar assim? Ela ta muito doente heim? Ela precisa de ajuda? Eu conheço alguém de confiança que pode ajudar vocês…e seguiu
Parei a minha lenta caminhada por um instante e fiquei olhando para a interlocutora nos olhos sem dizer absolutamente nada. Na verdade eu nem sabia o que dizer, apenas indignação pela falta de sensibilidade, noção e claro educação.
A idade, senilidade pouco quer dizer.
Depois do breve momento de respiração profunda eu agradeci o gesto educado de abrir as portas e não respondi a nenhuma pergunta a mais.
Nisso minha mãe me pergunta o que ela havia falado?
Eu respondo: foi engano…foi engano.
Fio da Navalha.

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