Marlene

Como uma madrugada enfeitada de ânimos
Estrelas de sua esperança
Ela sorri leve para vida
E suas tristezas escoam por debaixo da porta
Deslizando para os ralos…
Se sente bem em mais um dia de desafio e trabalho…
A vida nunca foi fácil
Erguer-se…
Vestir-se
Tomar o café
Sair…

Marlene feliz
Marlene entre vendavais do ontem
Marlene alma de pandorga

Ela chega ao trabalho e a faxina a espera sempre
Ela canta baixinho
Destilando sua atmosfera de querer e encanto
Mas nem tudo é bem entendido…
Algumas atendentes não gostam de Marlene…
Pois sua leveza quase religiosa
Faz espelhar o chumbo de vidas tão perfeitas…
E Marlene passa por entre elas…
Espuma e vento…
Não deseja conflitos…

Marlene pensa nos filhos
Marlene precisa de comer
Marlene não se entrega fácil

Mas o tempo é um rival que atiça espinhos
E toda a doçura tem seus limites
Atendentes implicam, hoje e amanha
Provocam…
Reclamam de papeis que faltam em suas mesas…
O que fez a faxineira?
Foi ela… a culpa sempre é dela
Mas não foi, não.
Marlene esta cansada da injustiça
E todos cansamos…
Os olhos dela brilham…
Quase marejam ao entardecer
É preciso mudar o jogo…
Sempre precisamos mudar algo…
E na noite que se segue…

Marlene reza para Santa Bárbara
Marlene canta a Iansã
Marlene entrega o destino a sua Mãe…

Os dias se passam…
A resposta vem da voz sem voz…
A dignidade é um voo sobre a mediocridade
Ela segue a voz de seu silencio…
Pede para ir embora do emprego
Entregando suas verdades as certezas do destino

E ela crê
E ela é amparada
E da porta que a recebeu na entrada do emprego
Ela sai como uma gaivota singrando os céus
As tempestades que se acalmam
Certezas que se fazem
Por vir que se realiza
Eparrei Marlene.
Eparrei senhora.

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