Fio da Navalha | Homenagem a Mestra Grio Sirley Amaro

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O dia que a Negra Pelotas chorou
O risco que está no ar que respiramos, nas pessoas que tocamos.
A dor de tantas perdas.
O orgulho de ver um povo tão estigmatizados, sendo representado num tecer vivo de palavras cantadas, palavras costuradas na vida e prática de nossa estimada Mestra Grio Sirley Amaro.
Dois mil e Vinte, ano implacável para a humanidade.
Sentimos as crueldades do avanço da extrema direita,
A perda de pessoas queridas,
Ano que perdemos nossa Mestra, a representante de nossa ancestralidade.
Uma sabedoria viva,
Uma memória pensante, com uma sede de falar …
Falar, falar, lembrar
Falar, falar, cantar
Cantar, falar, dançar …
Fala que canta e brinca com a memória.
Fala que muitas vezes esbarra em ouvidos moldados pela rigidez da impaciência e individualidade marcantes do projeto colonial e da modernidade que tentou aniquilar os saberes e modos de vida de tradição africana.
Hoje, final de um outubro de primavera pandêmica, mesmo chorando, cantamos.
Os tambores ecoaram em sua ultima homenagem.
As flores, cores, fuxicos moldaram sua ultima imagem.
A reza da ancestralidade entoava as palavras finais, preparando o encontro entre mundos.
A beleza e o encantamento Odara faz a dança final corporificando Iansã no corpo em movimento.
Hoje a Negra Pelotas parou para embalar sua passagem de retorno ao olorum.
Carla Silva de Avila
Primavera pandêmica 2020
Pelotas 29/10/ 2020

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